sábado, 16 de julho de 2016

A cura pro mal

Eu pensava que nunca me faltaria material criativo já que a dor era algo que me incomodava a refletir e escrever. Faltou. O pior de tudo é que me deparei com uma rotina tão complicada e exaustiva que algo além das minhas costas me incomodava: a total apatia a minha própria personalidade. Quando nem seus próprios sentimentos são interpretados de forma natural, é melhor parar e analisar aonde você se perdeu.


                                                                        Foto: Pamela Araújo

 Esta semana, tive a honra de conhecer uma pessoa especial que me expôs algo que de certa forma eu já sabia, a gente sempre sabe os grandes segredos do universo bem lá no fundo de nós. "A vida, minha querida Evy, é uma busca eterna por você mesmo". Achei na falta de respostas o açúcar que sempre me faltou e o entendimento de que a parte mais bela de tudo é aprender a fazer perguntas.

Espero muitas coisas de mim e do meu caráter, acima de tudo, que ele se prove verdadeiro com o passar dos anos. Que os gritos e horas de trabalho de parto da minha alma, querendo crescer e nascer, sejam recompensados com afagos nos meus cabelos grisalhos pelo tempo. Decido não me tornar amarga pelas decepções comigo mesma e com os outros e sonhar sempre. Não é trilhar um caminho para a perpétua angústia? Não é a esperança a raiz de todos os males? Não somos nós uma raça condenada?

Algo novo é o desejo de todos, o riso e a plenitude da vanguarda. Estar a frente do seu tempo é viver incompreendido, sentido com as incoerências da sociedade e apaixonado por algo que nunca viu. Quando pedimos um pouco mais de calma, o fluxo de informações alucina. Se num futuro distante alguém se perguntar como foi viver no início do século XXI, responderei que foi viver num misto de excitação e desespero. Por mais que as duas sensações sejam parecidas, a primeira diz respeito a alegria volátil que nos é proporcionada por tanta tecnologia e avanços científicos. Já o desespero se baseia na ideia de que nada novo nos será revelado além do que já alcançamos. 

Por fim, gostaria de dizer que deveríamos nos dar o benefício da dúvida. Sermos honestos e benevolente ainda que nossos antigos atos não compactuem com isso. Há sempre razão para recomeçar enquanto nosso coração bater.


elysemelo.com

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