sábado, 25 de fevereiro de 2017

chains



prisioneira

jogada no chão

chicotadas rasgam minhas costas

volto a humilhação 

a via hoje sacra é dolorosa

você é meu pior carrasco

cada segundo um espinho

cravado na minha carne

danos internos permanentes 

vomitando sangue

te amei

me faço livre agora

me escolho como prioridade 

eu não vou ser a outra

não vou fingir felicidade

em saber que você dorme em outros braços

e retorna com os aromas da meretriz

deita entre meus seios como se não tivesse 

gozado e corrompido nosso leito

destruindo a pureza que guardei

por tanto tempo e entreguei 

ao único que realmente amei

não faz mal

me fiz mulher

apaixonada por todas as perversões 

oferecida aos prazeres 

inebriada pelo pagão

não há volta

homens são o objeto 

inalcançável de redenção 

certeza não tenho da sinceridade 

das palavras proferidas de amor

você conhece o amor?

que seja maldito o tempo

que ele dissolva as memórias

que ele dissolva sua língua contra meu corpo

que ele dissolva até mesmo nossos planos

a imagem que criamos da nossa prole

que tudo te roube a paz

e que lembre todos os dias

antes de fechar seus olhos

dos meus cor de fel

mas não muito depois

já estou entre lençóis 

entregando a matéria

porque o metafísico estilhaço 

manifestam-se os demônios

saem dos escombros os fantasmas

meu rosto se transforma em fera

e as marcas saltam 

todo poema é um pecado







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