terça-feira, 7 de março de 2017

Nós aplaudimos a miséria humana na televisão.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Mais uma dose

Por muito tempo me isolei do mundo e dos meus próprios sentimentos. Dançava com o vazio, buscando o máximo de solidão possível. Como tudo na vida me entediava, cansei de viver só em mim mesmo e resolvi abrir a porta para outras pessoas entrarem. O vento bateu forte, levantou a poeira dos móveis. O sol entrou e incomodou meus olhos mas mesmo assim permaneci. Uns entraram, conversaram comigo brevemente e logo partiram. Outros, após uma repulsa inicial por causa do cheiro de guardado dos livros, até que gostaram de ficar.

Minha vida se transformou numa festa cheia de mulheres, bebidas, lances carnais. Mas era mais que isso. Ouvíamos músicas que tocavam nossos corações, fumávamos cigarros baratos para relaxar, víamos filmes que nos faziam querer viver em outro mundo. De repente, parei e me perguntei do que estávamos tentando tanto fugir. Corri pro quarto, expulsei um casal que usava minha cama, pensei. Nossa! Estamos fugindo do mesmo vazio que esse lugar era antes.

Reparei que fazíamos tudo na tentativa de sanar nossas dúvidas, pra aguentar essa lacuna doida e doída que é existir, sentir, amar. E, afinal, não somos todos seres procurando um amor? Seja ele da forma e altura que se apresentar, seja romântico ou amigável. Talvez queiramos também os dois. Fazemos festa porque o silêncio é ensurdecedor. Gritamos e choramos porque não sentir nada é como se lançar num abismo e nunca parar de cair.

Voltei pra sala e coloquei a música mais punk que encontrei entre a seleção. Naquele dia, onde eu entendi que a companhia deles era o que importava e viver o que estávamos vivendo bem ali era o bastante, parei de desejar partir. Um amigo meu diria que esse é um momento de vitória, dentre as poucas que podemos ter, a materialização do eterno retorno.

domingo, 5 de março de 2017

Sobre mariposas e embarcações

Você foi um acaso bom. Nosso final foi trágico, eu sei, mas só levo o tanto que cresci durante esse intenso amor de verão que me mudou para sempre. Não porque guardo mágoa, nem porque odeio o dia que eu resolvi responder aquela mensagem. Não porque me quebrei em vários pedaços. Eu realmente amei você mas faz alguns dias que me permiti chorar as últimas lágrimas de saudade. Eu cresci porque sei agora como não agir quando conhecer o amor da minha vida. Ele não é você, nunca foi. Eu me refugiei no inverno mais frio para perceber que aquilo jamais teria durado. Somos diferentes demais, parecidos demais. Você foi uma boa companhia.

(Tower Brigde, Londres. Meu intercâmbio de inverno, 2017)

Essa é a última coisa que te escrevo, um nó se fez na minha garganta mas já está passando. Tudo isso vai passar. Eu vou conhecer o mundo, você vai conhecer a vida. Isso não é mais sobre você, é sobre reconhecer meus erros e repará-los. Aqueles pensamentos de menina, aquele sorriso incerto, aquele medo de olhar nos olhos. Eu me curei de mim. Essa experiência foi transformadora: me encontrar na frente do espelho, reconhecer minhas rachaduras e debilidades. Definir objetivos claros e entender que a vida vai bagunçá-los como bem quiser.

Ultimamente, dragonflys estão aparecendo no meu caminho. Quase tatuei. Em Notting Hill, um colar. No sítio, uma em espécie. Vários desenhos geométricos e coloridinhos. Vitrais. Uma definição linda, mariposas significam capacidade de triunfar sobre tempos difíceis. Entretanto, ouvindo o som do piano enquanto agraciam meus ouvidos com uma bela melodia, não consigo nem imaginar por um segundo aonde essa vida pode me doer. Eu tenho a mim mesma, finalmente, ninguém faz parte disso. Quis fazer meu lar por ai quando, na verdade, ele estava dentro de mim. Achei que estava longe do fim porém tudo que deveria ser dito está ecoando na eternidade. Bons ventos, camarada, bons ventos.
elysemelo.com

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