domingo, 5 de março de 2017

Sobre mariposas e embarcações

Você foi um acaso bom. Nosso final foi trágico, eu sei, mas só levo o tanto que cresci durante esse intenso amor de verão que me mudou para sempre. Não porque guardo mágoa, nem porque odeio o dia que eu resolvi responder aquela mensagem. Não porque me quebrei em vários pedaços. Eu realmente amei você mas faz alguns dias que me permiti chorar as últimas lágrimas de saudade. Eu cresci porque sei agora como não agir quando conhecer o amor da minha vida. Ele não é você, nunca foi. Eu me refugiei no inverno mais frio para perceber que aquilo jamais teria durado. Somos diferentes demais, parecidos demais. Você foi uma boa companhia.

(Tower Brigde, Londres. Meu intercâmbio de inverno, 2017)

Essa é a última coisa que te escrevo, um nó se fez na minha garganta mas já está passando. Tudo isso vai passar. Eu vou conhecer o mundo, você vai conhecer a vida. Isso não é mais sobre você, é sobre reconhecer meus erros e repará-los. Aqueles pensamentos de menina, aquele sorriso incerto, aquele medo de olhar nos olhos. Eu me curei de mim. Essa experiência foi transformadora: me encontrar na frente do espelho, reconhecer minhas rachaduras e debilidades. Definir objetivos claros e entender que a vida vai bagunçá-los como bem quiser.

Ultimamente, dragonflys estão aparecendo no meu caminho. Quase tatuei. Em Notting Hill, um colar. No sítio, uma em espécie. Vários desenhos geométricos e coloridinhos. Vitrais. Uma definição linda, mariposas significam capacidade de triunfar sobre tempos difíceis. Entretanto, ouvindo o som do piano enquanto agraciam meus ouvidos com uma bela melodia, não consigo nem imaginar por um segundo aonde essa vida pode me doer. Eu tenho a mim mesma, finalmente, ninguém faz parte disso. Quis fazer meu lar por ai quando, na verdade, ele estava dentro de mim. Achei que estava longe do fim porém tudo que deveria ser dito está ecoando na eternidade. Bons ventos, camarada, bons ventos.
elysemelo.com

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