sábado, 20 de maio de 2017

Anjos de Sangue

As próximas palavras são difíceis de escrever. Terríveis, se você tem coração, de ler. 

Imagine que sua casa foi invadida. Sua doce e dedicada esposa, recebe um tiro na cabeça. Aquela testa que você beijava todas as manhãs, de pele tão macia, agora está com o cérebro espalhado no chão da sua sala de estar. Seu filho, um garoto de lindos cabelos negros que ainda ontem havia te mostrado um desenho que fez na escola, teve sua mão mutilada por causa de uma bomba. Sim, os mesmos dedos que fizeram aquelas formas tão lindas no papel, agora estão pra sempre perdidos. Sua casa, refúgio dos estresses cotidianos, foi depredada e arrasada. As paredes que antes eram suporte para retratos da sua família em viagens de férias, hoje tem manchas de sangue e marcas de bala. Todo o fruto do seu trabalho de anos se esfarelou na frente dos seus olhos.


(Sultan Kitaz/Reuters)

Então, você olha ao redor. Não existe mais nada além de poeira e caos. Todos os seus vizinhos e amigos, todas as pessoas que você já amou ou conheceu. Eles estão mortos ou brutalmente feridos. Você se arrepende de não ter dito que os amava. Você rebobina todas as discussões e argumentos que hoje parecem inúteis. As lágrimas quentes percorrem seu rosto sem parar. Soldados correm de um lado pro outro mas você não sente vergonha de estar chorando. Você entende nesse momento que perdeu tudo. Seus joelhos cedem e você grita pedindo para Deus te explicar porque você merece tanto sofrimento. E, pior ainda, por uma guerra que não é sua. Você aguentaria? Eu meteria uma bala na minha cabeça na primeira oportunidade. 

A briga de egos entre gabinetes políticos e grupos rebeldes transformou a vida do cidadão sírio em inferno. Já são seis anos consecutivos de massacre. Além de mais de 470 mil mortos, o grupo que apresenta a única esperança de reconstrução do país, está sendo liquidado.



2016 - Crianças Sírias

  • Pelo menos 652 crianças foram mortas – um aumento de 20% em relação a 2015;
  •  255 crianças foram mortas numa escola ou nas suas imediações;
  • Mais de 850 crianças foram recrutadas para combater no conflito, mais do dobro do das que foram recrutadas em 2015. As crianças estão sendo usadas para combater diretamente nas linhas da frente, incluindo em casos extremos, como, bombas suicidas;
  •  Foram registados pelo menos 338 ataques contra hospitais e pessoal de saúde.

Encerrarei essa pequena exposição da realidade que nossas crianças estão sendo tratadas, fazendo uma pergunta. O quão justo e moral é negar que essas crianças entrem nos nossos países para que possam, simplesmente, viver? 

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