quinta-feira, 25 de maio de 2017

Charlie

O terror da noite já passou. Eu bebo, nua, um copo d’água na frente da janela da sala. Sentada no tapete enquanto a natureza se reconcilia, pintando tons de lavanda, rosa e laranja nessa alvorada. O som dos pássaros me envergonha, pois parece um crime dizer e lembrar que há poucos minutos eu gritava em agonia. Tudo está em paz agora. É uma pena, essa paz não vai durar. Ela vem em ciclos, palavra que define minha vida. Palavras definem minha vida. Hoje, esse doce amanhecer com esse canto dos pássaros, testemunha o estopim de uma guerra. A minha guerra. Eis que me ergo contra tudo que me adoece, contra meu próprio ódio e os demônios que habitam minhas lembranças. Já participei de pequenas batalhas, conheço bem o meu inimigo. Eu sou meu próprio inimigo. O verdadeiro significado de sangue amigo. Meus olhos viram as coisas mais terríveis, dentre elas, suas lágrimas rolando e me implorando para que eu escrevesse alguma coisa, por favor. Eu vou, meu doce anjo. Estarei renascendo cada vez mais forte todos os dias.

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