terça-feira, 27 de junho de 2017

Quebrando o tabu

Quinta feira (22/06), mais de 20 pessoas morreram em uma batida envolvendo um carreta, um ônibus, uma minivan e uma ambulância. O acidente ocorreu na BR-101 em Guarapari - ES. Uma sobrevivente do acidente, disse que enquanto pedia ajuda, as pessoas só filmavam ou tiravam fotos. Seu marido faleceu implorando por criar os filhos naquele dia.


 (Foto: acervo pessoal. Ouro Preto - MG. 2014)

Enquanto pessoas morrem e suas carnes são expostas por likes,  poesia é produzida artificialmente nas imagens centenas de vezes compartilhadas no Facebook. Retweets com frases frívolas de efeito viralizam. Vidas comerciais construídas por agências de publicidade são colocadas na vitrine impecável do Instagram. Vociferam-se opiniões de ódio e esvaziadas de significação e ganho real para o debate, sob pretexto de "somos injustiçados socialmente". Ignora-se que a vida toda é uma luta. Pessoas fracas. Temem falar de temas tão inevitáveis como a morte mas depressão e suicídio se tornaram hype. Falta uma boa dose de realidade nessa gritaria. Menos desferir socos contra qualquer pessoa diferente, menos autodefesa quando não há agressão.

 Se não gostou, muda! Você não precisa lidar com os problemas, as dificuldades, os erros, os medos, os pecados e aqueles instantes de desespero e lágrimas que caracterizam a grandeza do espírito humano porque a grandeza não é confortável. Não é comercial. Não é lucrativa nem positiva good vibes. Crescer dói. Encarar-se sem corretivo e base no espelho dói. Cuidar da própria carapuça e lixar as pontas ásperas do nosso caráter machuca. O alastrar de "você não precisa encarar isso se não quiser" transformou toda uma geração em gente mimada. Ironicamente, quem é mais "desconstruído" é mais pascácio. A doutrina da facilidade e dos direitos ao invés da dedicação, do foco e do esforço pessoal vão nos destruir. Desconstruir. A pequenez é louvada.

A liberdade falsa, floreando podridão e mentiras, nos aprisiona muito mais que a obediência. Quebramos tabus? Eu acho que não. Criamos vários novos enquanto se cacareja por ai que as opressões estão sendo esmagadas. Cadeias imobilizantes surgem para avoidar a expressão da opinião de forma destemida e irreverente, criminalizando a individualidade. Maldito seja todo que queira regular minha palavra. Se livros mudam pessoas, que as pessoas não mudem ao lerem livros que tranquem em si toda autenticidade. Que os livros não tornem mulheres e homens em grandes covardes. Que a paz não seja uma desculpa para o não confrotamento de ideias tortas e tiranas para tudo que há de aproveitável em nós.

William Faulkner em letras garrafais. EU ME NEGO A ADMITIR O FIM DO HOMEM.

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