sábado, 26 de agosto de 2017

a morte natural e trágica acidental e toda essa obsessão nada mais significam que morrer no auge sendo a promessa que nunca se cumpriu. seria a forma poética de dizer adeus para a vida, já que é melhor não ser um deus que morrer após viver uma vida longe atribulada de decepções e fracassos. nos somos todos coisas quebradas. andamos por aí como se esperássemos por algo, como se nosso destino estivesse escondido atrás de uma porta ou como se fossemos entender o propósito ao cruzar uma esquina. mas não há nada. nada além da dor, do ódio e do desespero. nada além da obscuridade da alma humana e essa história é um resumo do que se acontece quando um homem decide abandonar as ilusões e viver a plenitude de sua existência. a minha história, muitas vezes escandalosa e horrível, mas certamente digna da sua atenção. não há mentira, não há mentira em minha perversão.

essa é a razão da vida. nos vivemos para morrer. e por que não executar o divino caminho que trilhamos todos os dias, com todos os seres?


Como as coisas podem mudar tanto tão rápido? Será que não estamos num limbo de fracasso, onde nada novo pode ser criado, porque tudo já existe inclusive textos similares a esse em milhares de idiomas diferentes? Será que não é tudo um terrível pesadelo? Apenas estamos todos querendo negar desesperadamente que não temos nada. Absolutamente nada. Nenhum Deus, nenhum futuro, nenhum objetivo em comum.
Nada que nos prenda ao tempo, nada que possibilite que transfiramos nossas emoções e memórias para algum lugar na eternidade. Nada que nos garanta que manteremos a consciência após à morte. E morte. Será ela uma boa e velha amiga que nos levará ao nosso lugar feliz? Algum lugar feliz e justo para todas as almas, afinal, não é essa a base de toda nossa filosofia e civilização judaico-cristã? E se Cristo, ou Platão, jamais houvessem existido? Que ideia teríamos? Não cabe a mim destruir pés de barro. Tudo já foi feito e eu nada de novo ou produtivo tenho a acrescentar. Voltando a indagação que me incomoda, o humano, o que diabos é um humano? Se você olhar no espelho friamente analisando suas formas, vai se reconhecer um alienígena. Todos os padrões de beleza se esfacelam perante tamanha estranheza.
Por que, mesmo nas mais isoladas civilizações, temos agarradas perguntas existenciais sob nosso couro? Que droga de brincadeira é essa que fazem ou que aconteceu por acaso? Por que minha alma quer voar como uma andorinha e meu corpo me prende ao chão? Do que é constituído e onde posso apalpar minha razão? Essas perguntas me torturam mas poucas coisas me deprimem mais que saber que milhares de vocês ignoram e constroem em volta de si edifícios odiosos de futilidade. Dramatizo eu tudo?
Reconheço minha arrogância porém não busco a redenção. Não por essa causa, não por me prestar a pensar e a construir um mundo novo. Busco redenção por ter o mal dentro de mim. Todos temos, eu só resolv abraçar. Nem em coletivos políticos ou trabalhos voluntários. Sempre preferi pagar pra ver o que minha natureza poderia me proporcionar e ela tem me dado ciclos intermináveis de loucura e prazer. É mais poderoso que qualquer coisa. Quando eu enfiei o triturador de gelo na minha esposa eu tive uma ereção. Ela estava incrivelmente mais bela, frágil e angelical. O ferimento em sua barriga fazia o sangue fluir devagar. Fizemos sexo pela última vez. Eu ainda estava dentro dela quando ela morreu. Foi o momento mais inspirador e gratificante da minha vida e desde então tenho tentado reproduzir essa sensação com todas as outras colaboradoras. Ninguém nunca chegou a altura, então continuo tentando.  
Aceitar que tudo acaba, desgasta e deteriora com a passagem dos anos. Esses corpos irão desbotar como uma foto antiga, o que faço a eles é eternizar na memória de pessoas por todo país. Você acha que não me importo com eles? Que escolho colaboradores aleatoriamente e que não tem valor? Muito se engana, Alexandra. Eles são a matéria prima necessária e separada para minha arte desde que nasceram. São parte da minha linda e imaculada criação.

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