quinta-feira, 17 de maio de 2018

Bloqueio Criativo

Todo o meu corpo, físico e aquilo que chamamos de alma, psiqué ou intelecto, estão profundamente cansados mas eu não poderia deixar passar esse sentimento que veio, não se revelou por inteiro e como macaca velha eu sabia que tinha que começar a escrever para ele parar de se esconder nas profundezas frias de onde sei lá esse tipo de bicho cabeludo se esconde.




As vezes eu sinto que minha arte é uma grande bola de cabelo (eu estou me divertido na construção dessas frases), daquelas nojentas que ficam grudadas no ralo  e você sabe que uma hora vai ter que usar as próprias mãos - com luva não dá - e jogar no lixo. O pior: você sabe que é seu cabelo, até ai tudo bem, mas o xixi que você insite em fazer diariamente no box também passou por ali. Foco.

Voltando a falar do emaranhado de ideias, dores, amores, cores, sabores que eu comecei a esguichar no papel e posteriormente no teclado do computador ainda bem cedo (há relatos de que na primeira série minhas professoras tiveram que filtrar o conteúdo explícito de violência de um conto meu sobre mortos vivos)...

Meus ídolos. Dá pra acreditar que meu tesão era me imaginar um dia no lugar de Clarice? Ridícula criança burra. A verdade é que não há tempo para os clichês, para os erros, nem mesmo para os acertos. Eu já deveria estar pronta? Tecnicamente, o ontem morreu e o amanhã tá com preguiça de nascer então o tempo não existe. Toda hora é hora de Toda Crônica.

E o que diabos eu faço com esse marasmo, essa vontade de reclamar de político e de sofrer. Droga, cansei de sofrer. E digo mais, cansei de xingar Deus e o mundo, porque muitos já fizeram isso e a postura irreverente dos meus 15 anos deu lugar à uma velha amarga e rabugenta (4 anos se passaram, pelo jeito, a prolixidade não).

Cansei de falar que cansei de cansar dos jogos de palavras, dos truques de mente e do frio da barriga da conquista. A verdade (como se ela não fosse capaz de gritar por ela própria, lá vou eu) (insira aqui a pontuaçao correta - que não me importa at all - pra uma segunda observação entre uma oração e outra -  desculpa decepcionar, esqueci a segunda, voltemos ao fluxo normal das coisas)) é que essa geração tem uma sensação de merecimento que me dá vontade de vomitar.

Lembrei o que eu ia dizer na bagunça que eu fiz antes de reclamar da minha geração. Eu ia dizer que não tem nada mais lugar comum que reclamar do hoje, pensando num ontem saudosamente melhor e conjecturando um amanhã ideal. É tudo uma merda, sempre foi, sempre vai ser. Seres humanos tem o dom de jogar qualquer avanço na lama com os porcos depois do frenesi inicial.

Enfim, é isso, vou continuar fantasiando no banho com os prêmios pela escrita medíocre que nunca vai ser reconhecida. Sequer lida. Sequer publicada. Sequer lembrada. O que seria da arte sem mim, não é? Meu santo ofício. Inverta a pergunta. Sigo escrevendo.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Você é livre.

elysemelo.com

Design por Butlariz