sábado, 12 de maio de 2018

Cabofriense Blasé

Eu tento não odiar minha cidade natal e o lugar que passei aproximadamente os últimos 18 anos da minha vida, com felizes escapadas para o interior mineiro, para o litoral do Nordeste e para a Europa. Estou com fome. Esses dias critiquei a biologia humana por me obrigar a fazer xixi. Tem dias que você não quer fazer xixi. Contei isso pro meu namorado e ele riu como se eu não estivesse fazendo sentido. Por que vocês não entendem? Bem, talvez seja papo de maluco.

Eu não sei se é mania, se é a energia da cidade, se é a criação familiar. Não há nada aqui. Bonitas praias não formam um ser humano. Não há nada aqui. Nada de louvavel além dos corredores da fria e abandonada biblioteca municipal. Eu adorava aquele lugar. Assim como amava o chão de madeira do Colégio Franciscano Sagrado Coração de Jesus, no prédio antigo que eu costumava me refugiar das aulas, das pessoas e da dor que minha existência inflamava no meu coração aos 14 anos de idade. Eu amava aquela bibliotecária e ficava desolada quando ela faltava por estar doente ou coisa assim. Ela me olhava fascinada toda vez que eu me perdia atrás do balcão procurando um pouco de Machado ou de Camilo.

Pausa dramática.

Eu saí de Cabo Frio. Ok, deve fazer 1 ano desde os dois primeiros parágrafos desse texto. Estou cansada do tom de retrospectiva que as linhas acima tomaram para si. Vamos falar do que está acontecendo agora, em Santa Cruz de la Sierra.

Eu nunca pensei em morar na Bolívia, na Argentina sim mas eu tinha um preconceito enorme com esse lugar aqui. Ridículo, como a maioria dos preconceitos. Santa Cruz é minha neverland e aqui eu estou conseguindo construir Rox, meu alter ego. Rox e eu não estamos muito escritoras hoje e, certamente, ela é um tanto quanto menos disciplinada que eu (o que equivale há -1, porque meu nível de disciplina para escrever é 0). Que minha futura editora não leia isso, amém. Decidi fazer uma montagem de fotos, como um mural de referência.


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